Isabel Mendes da Cunha

01/15/2019

Izabel Mendes da Cunha nasceu na Fazenda Córrego Novo, município mineiro de Itinga, no dia 3 de agosto de 1924. Mudou-se ainda jovem para Santana do Araçuaí, hoje município de Ponto dos Volantes, Vale do Jequitinhonha-MG.

 

Desde a infância, dona Izabel já criava pequenas figuras de barro, imitando sua mãe que era louceira (paneleira, como é chamado na região do Vale do Jequitinhonha) e se dedicava à produção de cerâmica utilitária. Quando adulta, seguiu os passos de sua mãe e começou também a fazer peças utilitárias com o barro, as quais vendia nas feiras da região. Dona Isabel ficou viúva, e desde então, para ajudar no sustento dos filhos, começou a modelar outros tipos de peças, como animais e bonecas de barro. No início suas figuras consistia de cavaleiros, bois, aves e pequenos presépios, todos feitos com barro vermelho e pintados com barro branco.

 

No início da década de 70, a artesa iniciou a produção de bonecas grandes, algumas com cerca de um metro de altura. Eram, em sua grande maioria, casais de noivos, com o homem vestido de terno e a mulher vestida de branco, grinalda e buquê de flores nas mãos, uma marca registrada da sua obra. Outra peça que ficou muito famosa, e que começou a ser modelada ainda nesta época, foi a boneca representando uma mãe amamentando.

 

Com a procura por suas peças, dona Isabel passou a produzir bonecas com detalhes mais elaborados e características próprias. Na época, uma das suas inovações foi a forma de fazer os olhos das bonecas. Antes os olhos eram apenas pintados, como ainda fazem muitas outras artesas do Vale; dona Isabel passou a esculpir os olhos de sua bonecas em alto relevo. Outra inovação foi a utilização do barro colorido para pintura das bonecas, técnica ainda utilizada por ela e por várias artesas do Vale do Jequitinhonha.

 

As peças de dona Izabel logo ganharam fama nas feiras da região. Com o trabalho de divulgação/ comercialização realizado pela CODEVALE (Comissão do Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha) no final da década de 70, tornaram-se muito valorizadas também em feiras nacionais e internacionais. Com a notoriedade alcançada, a artesa deixou de lado a cerâmica utilitária e passou a se dedicar apenas às suas bonecas. Casal de noivos, mulheres amamentando, rituais de batizado são algumas das peças mais famosas feitas por dona Isabel. Todas essas bonecas eram vestidas com roupas de festa,  feitas com capricho e com grande riqueza de detalhes, características presentes em praticamente toda sua obra.

 

Dona Izabel teve quatro filhos: Amadeu, Rita de Cássia, Maria Madalena e Gloria. Com o aumento da demanda por suas peças, toda a família se incorporou ao trabalho com o barro. Dos quatro filhos, apenas Rita de Cássia não trabalha na arte do barro. A filha Glória e seus marido João Pereira de Andrade são ceramistas renomados atualmente e já iniciam suas filhas na arte de modelar o barro. Maria Madalena morou com sua mãe e a ajudou durante muitos anos na produção das bonecas.

 

A escola de cerâmica iniciada por dona Isabel, inclui, além de sua família, vários outras artesas de Santana do Araçuaí. Entretanto, o principal seguidor desta escola é seu genro, João Pereira de Andrade, que se tornou seu sucessor natural.A Associação dos Artesãos de Santana do Araçuaí mantém uma loja onde são expostas as peças de todas as artesas da região. Na sua maioria são bonecas, galinhas, vasos e flores de cerâmica.

 

Atualmente as bonecas de dona Izabel são peças altamente valorizadas no mercado da arte. Entre as artesas do Vale do Jequitinhonha , ela era a que cobrava mais caro pelas sua peças e mesmo assim existia uma longa fila de espera. Com o dinheiro adquirido ao longo dos anos, sua família melhorou muito de vida. Hoje a família mora em terras próprias, nas quais foi construída uma casa ampla para dona Isabel morar com sua  filha  Maria Madalena. Porém, a artista ainda usava o velho ateliê, onde estavam os velhos fornos de cerâmica que a acompanharam por muitos anos.

 

Entre os prêmios recebidos por dona Izabel destacam-se: o Prêmio Unesco de Artesanato para a América Latina (2004), a Ordem do Mérito Cultural (Ministério da Cultura do Brasil, 2005) e o Prêmio Culturas Populares (Ministério da Cultura do Brasil, 2009). Dona Isabel foi ainda homenageada pela então presidenta Dilma Rousseff durante a abertura da exposição "Mulheres artistas e brasileiras" no Palácio do Planalto em Brasília (2011).

Suas bonecas já foram expostas em vários museus e galerias do Brasil e de alguns países. Merecem destaque a Galeria Estação (São Paulo) e o Museu Casa do Pontal (Rio de Janeiro), que possuem um grande acervo de arte popular brasileira. As bonecas de dona Isabel foram expostas pelo menos por duas vezes em Paris (França): Na exposição Un art populaire (Foundation Cartier, 2001),Histoires de voir: Show and tell (Foudation Cartier, 2012).  

 

 

 

 

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